Euro 2020: O que podemos esperar de Portugal?

 


Portugal parte para o Euro 2020, como atual detentor do troféu e por isso mesmo, como um dos favoritos, a vencer a competição de seleções, mais prestigiada da UEFA.

Comecemos pelas comparações óbvias, entre a seleção de 2016 e a presente geração lusa:

Volvidos 5 anos após a vitória em Paris, Fernando Santos apostou em rejuvenescer a seleção e podemos dizer em certa medida, que os resultados foram extremamente positivos. Pelo caminho Portugal venceu a Liga das Nações em 2019, com uma geração de novos valores como: Bernardo Silva, Bruno Fernandes, André Silva, Diogo Jota, João Félix, Ruben Dias, Gonçalo Guedes (autor do golo decisivo na final), entre outros, que não haviam atuado no Euro 2016.

No lote de convocados de 2016 saíram verdadeiras referências do futebol nacional. Não é tarefa fácil substituir Ricardo Carvalho (possivelmente o melhor defesa central português do século XXI), Bruno Alves, Ricardo Quaresma, ou até mesmo Nani. Fernando Santos teve um papel decisivo na reformulação da seleção e nas entradas diretas para o onze português de Bernardo Silva, Ruben Dias e Bruno Fernandes, ainda que por vezes houvesse alguma contestação pelo desempenho demonstrado em campo.

Começando pelo setor mais recuado, Ruben Dias viu em Pepe o parceiro ideal para potenciar o seu futebol. O jovem defesa central, então jogador do Sport Lisboa e Benfica, evoluiu a olhos vistos, num setor onde as opções eram diminutas e a experiência de jogadores mais velhos falava mais alto. Ganhou a titularidade e hoje em dia, podemos considerar o agora jogador do Manchester City, um dos melhores defesas do futebol mundial.

No meio campo, resiste João Moutinho, contudo conta agora com a presença de Bruno Fernandes, num meio campo a três onde se multiplicam as opções para o lugar de 6. Danilo, William e João Palhinha podem ocupar a posição e Fernando Santos decerto que ainda não decidiu quem ocupará o lugar. Falando de Bruno Fernandes em particular, o médio foi provavelmente o jogador que mais evoluiu de 2016 para os dias de hoje. A sua saída de Itália, potenciou toda a sua maturação de jogo e viu em Alvalade as condições ideias para evoluir o seu futebol, tornando o atual jogador do Manchester United, um dos melhores médios do futebol mundial. Bruno alia a excelente visão de jogo, com um último passe e meia distância brilhantes. Já para não falar da sua extrema qualidade nas bolas paradas, onde é um especialista. Bruno Fernandes trás qualidade ao meio campo português, especialmente ao que a criatividade diz respeito.

Na frente, especial atenção para Bernardo Silva no flanco direito e André Silva na zona central. Falar de Bernardo Silva é falar de um nº10 "preso" numa das alas, pois apesar de não ser um jogador de arranque explosivo e remate fácil, dá extrema inteligência ao processo ofensivo português, nas triangulações que procura ora com o lateral, ora com a descida do jogador central do ataque de Portugal. É um dos indiscutíveis de Fernando Santos e já em 2016 falava-se de uma eventual convocatória, o que acabou por não acontecer.

Na zona central, encontramos André Silva em super forma. O ponta de lança português, apontou 27 golos na Bundesliga, perdendo o prémio de melhor marcador do campeonato alemão para o inevitável Lewandowski. Não tem a titularidade garantida, contudo pode fornecer à seleção portuguesa, a frieza necessária à frente da baliza contrária.

Volvidos 5 anos, Portugal está bem e recomenda-se. Serão poucas as seleções a nível mundial com tantas soluções em todos os setores do terreno de jogo.

Podemos contar com a segurança e experiência de Rui Patrício na baliza portuguesa, no corte preciso de Pepe, na dobra de Ruben Dias, nas incursões de Cancelo, Nuno Mendes ou Raphael Guerreiro pelos flancos laterais, na certeza no passe e manutenção da posse de bola de Moutinho e Sérgio Oliveira, no último passe decisivo de Bruno Fernandes e Bernardo Silva, na magia de Félix e essencialmente na esperança de uma nação em Cristiano Ronaldo. Sem nunca esquecer, que Portugal ainda pode contar com Renato Sanches, Diogo Jota, Pote, entre tantos outros. É muito talento, talento que não pode ser desperdiçado e acima de tudo desconsiderado.

Portugal pode sonhar e recordar Paris, como o inicio da sua hegemonia mundial.


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