O "Mestre" e o "Aprendiz"

Quem nunca ouviu a história, do "aprendiz" que um dia derrotou, ou foi além do conhecimento do "mestre"?

No panorama futebolístico, falemos de Ruben Amorim como "aprendiz" e Jorge Jesus enquanto o "mestre".


Jorge Jesus dispensa apresentações. O consagrado treinador português, de 66 anos de idade, ganhou tudo o que havia para ganhar a nível interno. É por três ocasiões Campeão Nacional, vencedor de uma Taça de Portugal, detêm o recorde de seis Taças da Liga (treinador que mais vezes conquistou a prova) e duas Supertaças de Portugal. Contabilizados, são 12 títulos só em solo português. Sem esquecer pelo caminho duas finais da Liga Europa pelo Sport Lisboa e Benfica e a conquista da extinta Taça Intertoto pelo Sporting de Braga.

Para termos ideia, José Mourinho, André Villas Boas e Sérgio Conceição juntos, tem tantos títulos em Portugal quantos Jorge Jesus possui. Falamos novamente, são 12 títulos em competições internas. Um número ao alcance de poucos.

Ruben Amorim por outro lado, foi treinado por Jesus e nunca escondeu a sua admiração sobre o conhecimento tático, que o seu ex-treinador possuía. Jesus influenciou e marcou a carreia de ilustres jogadores, que mais tarde decidiram seguir as suas pisadas e começar uma nova carreira, então como treinadores.

O jovem treinador português, tal como o seu "mestre", começou nas divisões inferiores. A aposta foi feita pelo Casa Pia, contratando o então treinador estagiário. Victor Seabra Franco, presidente do Casa Pia, recorda quando o diretor desportivo do clube Carlos Pires, o informou da chegada de Ruben Amorim: 'Falei com o Rúben Amorim e ele vai fazer cá o estágio de treinador. Há algum inconveniente?' E eu: 'Não, não há problema nenhum, é um antigo internacional, jogou no Benfica, é bem-vindo, esperemos que venha para ajudar'".

Amorim mudou os horários dos treinos para as manhãs, implementou banhos de gelo e até ficou conhecido pela exigência máxima em cada exercício aplicado em treino. Ganhou o respeito de todo o balneário, ainda que não fosse habilitado para ser treinador de futebol.

No ano seguinte, seguiu para Braga, para comandar a equipa B do clube. Mal sabia que em Dezembro do mesmo ano, após saída de Sá Pinto haveria de tomar o lugar da equipa principal do clube e revolucionar por completo o futebol português.

Apostou num ousado 3x4x3 em que os centrais deveriam sair a jogar com qualidade e critério no passe, os laterais seriam elos de ligação ao ataque e por consequência os médios teriam funções defensivas redobradas, sendo João Palhinha, o jogador fulcral no meio campo arsenalista. No ataque Paulinho assumiria o papel de ancora da equipa, porém teria que baixar no terreno de jogo, para procurar tabelas ofensivas ora com Galeno, ora com Ricardo Horta.

A aposta neste modelo de jogo foi um autêntico sucesso! Amorim acaba a época em 3º lugar no campeonato, ainda que, com os mesmos pontos que o Sporting Clube de Portugal, 4º classificado. Conquista a Taça da Liga e pelo meio ganha aos três grandes sem contestação. Era impossível segurar Amorim e Frederico Varandas, presidente do Sporting Clube de Portugal, no dia 4 de Março de 2020, tornou o treinador português um dos mais caros de sempre, numa transferência que gerou extrema contestação.

Amorim acaba por potenciar alguns jovens e apostar no mesmo modelo tático que havia usado em Braga. A chamada à equipa principal de Nuno Mendes, Tiago Tomás, Gonçalo Inácio, Matheus Nunes, entre outros, deixou alguns adeptos preocupados com a resposta que seria dada em campo. Porém o treinador português acabou por criar uma verdadeira mescla em campo entre juventude e irreverência e a experiência e ponderação necessária dos jogadores mais velhos.

O Sporting Clube de Portugal é pela mão do jovem "aprendiz", vencedor da Taça da Liga e Campeão Nacional 19 anos desde o seu último título! Nota para o registo quase imaculado no campeonato. Apenas uma derrota, diante do seu "Mestre" (4-3 em jogo disputado na 33ª jornada, diante o Benfica), que como podemos ver na imagem deste mesmo texto, abraça o seu antigo pupilo, com o orgulho de missão cumprida e o sentimento que o que ensinou, teve frutos na carreira do ex-jogador.

Podemos ter a certeza, que a relação Mestre-Aprendiz é um caminho possível para a transmissão de conhecimento.

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