Maestros e Operários
Na final deste ano da Champions League, assistimos a um duelo de estilos e papéis fulcrais no terreno de jogo.
De um lado N'Golo Kanté, médio box-to-box, capaz de ser figura omnipresente em todo o movimento de transição, pressão e saída apoiada de jogo. O francês é um "monstro" no aspeto físico, pois é capaz de ter a mesma intensidade de jogo, durante os 90 minutos da partida, fazendo toda a ligação entre elementos do meio campo e condicionando as movimentações contrárias. É um autêntico "operário" , que cumpre o seu propósito e joga de "fato de macaco", no meio campo londrino.
Do outro lado, tivemos um dos últimos grandes "maestros" do futebol mundial, Kevin de Bruyne. O belga, considerado por muitos um dos melhores jogadores do mundo, chegou à final da Champions League com o papel de criar e pautar, todos os movimentos ofensivos da equipa de Manchester. Foi ineficaz. De Bruyne encontrou dificuldades em ter bola, em conseguir libertar os seus colegas de equipa e sobretudo em ter espaço para pensar o jogo, como tão bem sabe (haveria de sair lesionado, após choque violento com Rudiger aos 60 minutos da partida). Um dos causadores dessa ineficácia? N'Golo Kanté!
Seria redutor e talvez ingrato, pôr todo o mérito sobre os ombros do francês, pois Tuchel montou um esquema de jogo que potência não só as suas qualidades, como as de Jorginho, que jogou a par com Kanté no meio campo londrino.
Ainda assim, Kanté foi eleito o melhor jogador desta final, ganha por 1-0 pelo Chelsea. Estamos perante uma mudança de mentalidade e estratégia de jogo, em que os "maestros" de outrora, dão lugar a figuras de menor protagonismo e visibilidade, mas extrema importância em campo, os "operários" do meio campo.
Bem vindos ao futebol moderno!
Mesmo isso, futebol moderno, mas não deixa de ser fascinante.
ResponderEliminarSaber criar ou saber defender/condicionar tem a sua mestria e beleza.
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